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Destaques

Fórum Setorial do Audiovisual Paraibano aponta precarização do cinema em edital da Funesc, que segue aberto até esta sexta (10)

O Fórum Setorial do Audiovisual Paraibano apresentou, na última quinta-feira (02), uma carta aberta enviada à Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), propondo mudanças no edital n° 07/2020 (Meu Espaço – Compartilhando Cultura). O projeto da Funesc foi divulgado no dia (31) de março e oferece 105 vagas de propostas artísticas nas áreas de: contação de histórias, circo, teatro, dança, literatura, histórias em quadrinhos, música, culturas populares, artes visuais, poesia falada e cinema.

Após a fase de inscrição e seleção, o objetivo é transmitir, por meio das mídias sociais da Funesc, produtos culturais produzidos na Paraíba. Segundo a presidenta do órgão, Nézia Gomes, a fundação pretende movimentar a cena cultural e estimular o isolamento domiciliar, especificamente nesse período de pandemia causado pelo coronavírus (Covid-19). Outro objetivo é apoiar os artistas locais atingidos financeiramente pela pandemia.

Representantes do Cinema local

Assinada por mais de 40 representantes …

Aluno apoiador UFPB: experiências, empatia e crescimento compartilhado


O Comitê de Inclusão e Acessibilidade (CIA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) tem como objetivo garantir a inclusão e acessibilidade das pessoas com deficiência na Instituição (alunos, professores ou servidores). Além disso, fortalecer a ideia de que essa responsabilidade não está apenas para um setor, mas sim para todos que convivem no campus.
Um dos coordenadores, Rafael Monteiro, conta que “como carro chefe existe o programa aluno apoiador, que busca formas de garantir a permanência do estudante com alguma deficiência na graduação”.
Para se tornar um apoiador é preciso passar por um processo de seleção no qual os aprovados recebem capacitação e orientações sobre como dar o suporte da melhor forma possível ao seu colega de turma.
Eles têm como função dar apoio primordialmente em sala de aula, nas atividades acadêmicas e em alguns estudos extraclasse.
“Algo que as pessoas precisam saber é que o apoiador não pode em hipótese alguma realizar as atividades do apoiado, esse estudante está para direcionar o outro a realizar as responsabilidades de forma independente na universidade”
Rafael Monteiro, coordenador do Comitê de Inclusão e Acessibilidade da UFPB
Albert Silas e Anderson Barbosa se conheceram no curso de Psicologia da UFPB por meio do programa Aluno Apoiador. Imagem/Arquivo Pessoal
Anderson Barbosa, 65 anos e natural de Campina Grande se formou em Psicologia na UFPB em 2018 e hoje trabalha com atendimentos em clínica particular de João Pessoa. Ele relata que perdeu totalmente a visão há cerca de 9 anos devido a um descolamento de retina provocado pela diabetes.
“Nós deficientes somos novidade na universidade. Raramente se via um cego, um cadeirante ou um surdo entrar no ensino superior, era muito raro”
De acordo com o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em um período de 10 anos, 2004 até 2014, o acesso das pessoas com deficiência ao ensino superior deu um salto no país. No entanto, quando esses números são comparados com os dados totais de ingresso nas faculdades e universidades brasileiras, essa participação ainda é pequena.
Em 2004, o número de pessoas com deficiência que se matricularam em cursos superiores presenciais e a distância no Brasil foi de 5.395, o que representou 0,12% do total de matriculas no país neste ano, que foi de 4.223.344 segundo o Inep.
Já em 2014, o número total de estudantes matriculados em cursos superiores no país foi de 7.828.013. Em relação aos alunos com necessidades educativas especiais o aumento foi muito maior na mesma comparação, atingindo 33.377 matrículas. Apesar dessa elevada na comparação dos 10 anos, em 2014 o percentual não chegou nem perto de 1% do total de alunos, representando somente 0,42% de pessoas com deficiência no ensino superior naquele ano.
Anderson à direita, 24, à direita, foi estudante apoiador de Anderson durante boa parte da graduação em Psicologia na Universidade Federal da Paraíba. Imagem/Arquivo Pessoal
 Silas, 24, graduou-se junto com Anderson em Psicologia e foi seu parceiro de apoio durante grande parte do curso. Os dois ficaram amigos e Silas conta que conviver com Anderson modificou sua percepção sobre as pessoas com deficiência.
“Me fez ver todas as dificuldades que ele passou e superou por causa das barreiras institucionais, as dificuldades em sala de aula, mas também vi como os demais alunos da nossa turma fizeram pra que ele fosse incluído”
Anderson afirma ter enfrentado dificuldades durante sua passagem pela universidade, “o primeiro período foi o mais difícil”, conta.
O psicólogo lembra que no início houve um afastamento em relação à turma, pela sua idade e a deficiência, mas depois a interação e a comunicação melhoraram. Ele se sentia menos compreendido pelo corpo docente.
“Eu me sentia mais excluído pelos professores, a maioria não tá preparada pra lidar com aluno especial na classe. Quanto aos colegas, uma turma de 60 alunos, acaba se dividindo em grupos, eu frequentava bem todos os grupos, não tive nenhuma dificuldade, fui sempre bem aceito. Ainda hoje nos damos bem”.
Anderson diz que apesar da dedicação dos docentes, eles estão mais preparados para ensinar alunos que enxergam.
Alguns pediam para que o estudante solicitasse informação a qualquer momento durante a aula, “já outros não queriam que eu interrompesse pra perguntar, não estavam dispostos a ceder para me ajudar. Eles demonstravam que não acreditavam que eu fosse concluir o curso. Chegaram a me perguntar se eu pensava em fazer mesmo, mas fui enfrentando”.
Ele destaca a importância do Comitê de Inclusão e Acessibilidade, “O CIA briga com os professores, com a coordenação, é uma grande ajuda para quem tem necessidades especiais”.
Para Silas, o projeto é fundamental na inclusão em nível institucional e no dia a dia da sala de aula.
“Coloca alguém ao lado desse estudante que vai enfrentar dificuldades, e isso evidencia a importância de professores estarem preparados para receber esses alunos e também a turma de alguma forma procurar contribuir para que o aluno possa ser incluído de verdade no sistema educacional”.
FUTURO
Segundo Rafael, o coordenador do comitê, uma das propostas da atual gestão é a descentralização do serviço nos campi, centros e departamentos de forma institucionalizada.
Ele reafirma que o compromisso do trabalho é a independência da pessoa com deficiência. “O CIA não está para segregar, mas para fazer com que o aluno entre, permaneça e saia da universidade com um profissional competente e independente”, salienta.
Anderson, Silas e uma colega da turma de Psicologia segurando plaquinhas durante formatura dos concluintes. Imagem/Arquivo PessoalFormatura da turma de Psicologia em 2018. Imagem/Arquivo Pessoal
Para Anderson, “é importante começar de agora a preparar os professores do futuro, que vão tomar conta de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos em todos os níveis da educação”.
O psicólogo acredita que é necessário trazer disciplinas que trabalhem com profundidade a questão da diversidade e dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente nos metrados de todas as áreas e cursos de graduação como pedagogia, por exemplo.
Como projetos futuros, ele fala no desejo de trabalhar com plantão psicológico em comunidades. O plantão é uma modalidade em que para ser atendido não é necessário marcar consulta. A pessoa pode se dirigir ao local de atendimento nos dias estipulados e passar por uma sessão com psicólogo (a), por ordem de chegada.
Outro grande sonho de Anderson é dar palestras motivadoras. “Sei que tem muitas pessoas que passaram a experiência que eu passei e por já estarem beirando a terceira idade elas assim como eu não desistiram. Fui motivado por algumas pessoas a voltar a estudar e queria fazer o mesmo pelos outros”.


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